google.com, pub-5144189149288397, DIRECT, f08c47fec0942fa0

NOVIDADES DO BLOG

sábado, 28 de março de 2026

CEL. ANTÔNIO JOAQUIM DE SANTANA - CORONEL SANTANA


O Senhor de Missão Velha: A Saga do Coronel Santana


       
Cel. Antônio Joaquim de Santana - Imagem restaurada com IA.


     Antônio Joaquim de Santana (Coronel Santana) Nasceu no Sítio Brejão, município de Barbalha, aos 6/12/1856 e faleceu em novembro de 1941. Integrou os quadros da Guarda Nacional por nomeação do Presidente da Republica Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca. Chefe político dos mais prestigiosos do Ceará, numa fase parcialmente superada, de sua política, o Cel. Santana inaugurou, no Sul do Estado, o ciclo das deposições, apeando do poder, ao fragor de tiroteios, em 1901, o Intendente de Missão Velha, Cel. Antonio Róseo Jamacaru. Conquistando pela força, o poder, do citado ano de 1901 a 1916, governou o município missão-velhense. Em 1911, aos 14 de outubro, na Vila de Juazeiro-Ce, presidiu a reunião dos caudilhos sul-cearenses a qual passou à história como ¨O Pacto dos Coronéis¨. (A Estirpe de Santa Teresa - Joaryvar Macêdo (p. 105-106)


Cel. Santana. Fonte: arquivos da família



A ascensão pelo Bacamarte


    A história de Antônio Joaquim de Santana, o "Coronel Santana", confunde-se com a própria inauguração de uma era de deposições violentas no Cariri cearense. Em 1901, ele deu início a esse capítulo turbulento ao apear do poder, sob cerrado tiroteio, o então chefe político de Missão Velha, Coronel Antônio Róseo Jamacaru.  

    Para consolidar sua investida, Santana utilizou sua localização estratégica no sítio Serra do Mato, ao sopé da Serra do Araripe. Dali, foi-lhe fácil arregimentar um exército composto por elementos do sertão pernambucano — núcleo de cabras e cangaceiros famosos — somados a recrutas do próprio Cariri. Diante de tal força, a resistência de Antônio Róseo foi insuficiente, restando-lhe a capitulação e o exílio definitivo em Jaguaribe.  


Poder e Prestígio no Cariri


    Instalado no poder com o apoio do governo estadual, Santana governou Missão Velha por dezesseis anos. Sua influência, contudo, estendia-se por toda a região, onde era superado em prestígio apenas pelo Coronel José Belém de Figueiredo (Crato) e, posteriormente, pela dupla Padre Cícero e Dr. Floro Bartolomeu.  
    Santana alimentava uma ambição audaciosa: desejava que cada município do sul cearense fosse dominado por um membro de sua família, os Terésios, estirpe originária do Engenho de Santa Teresa.  



O Homem por Trás da Patente


    Nascido no sítio Brejão, em Barbalha, no dia 6 de dezembro de 1856, Santana era uma figura de contrastes. Embora fosse um "mandão" rústico e temido, possuía um lado boêmio e sensível às artes:  

Música e Boemia: Dedicava momentos às mulheres e à música, sendo um apreciador do violão. Costumava dizer que não havia nada mais belo que a ressonância da viola em mãos habilidosas.  

Hospitalidade: Na casa-grande da Serra do Mato, acolhia cantadores e afirmava que, para a tristeza, o remédio era "uma viola bem temperada e um cigarro de fumo das Cabeceiras".  

Vitalidade: Mesmo na velhice, participava de festas sertanejas e dançava a noite inteira.  

Legado e Família


    Dotado de senso prático, o coronel priorizou a educação dos filhos varões de seu casamento legítimo. Dos quatro filhos, três galgaram posições de destaque:  

  • Antônio Santana Júnior: Engenheiro e professor do Colégio Militar do Ceará.  
  • Manuel Joaquim de Santana: Desembargador.  
  • Juvêncio Joaquim de Santana: Desembargador, deputado estadual e secretário do Interior e Justiça do Ceará.  


O Fim de uma Era


    Diferente de muitos chefes políticos de sua época, que tiveram fins violentos, o Coronel Santana faleceu pacificamente de morte natural, em novembro de 1941 aos oitenta e cinco anos . Ele viveu o suficiente para ver seus trinetos, deixando um rastro de arbitrariedades e desafetos, mas também uma marca indelével na história do coronelismo nordestino.

------------------------------------------------------------------------------------------------------------

NOTA: Vale salientar que uma das fases de mais projeção do clã forma as primeiras décadas do fluente século. Basta lembrar que, então lhe pertenciam vários dos chefes políticos, de real prestígio, da Região: Cel. Antônio Joaquim de Santana, em Missão Velha; Cel. José Belém de Figueiredo, em Crato; Cel. João Raimundo de Macedo, em Barbalha; D. Maria da Soledade Landim (Marica Macedo), em Aurora; Cel. Felinto da Cruz Neves, em Santana do Cariri; Cel. Napoleão Felinto da Cruz Neves, em Jardim, e outros. (A Estirpe de Santa Teresa - Joaryvar Macêdo (p. 105-106).

    Vem a propósito ressaltar que um dos Terésios, Antônio Joaquim de Jesus Macedo, que foi professor em Canindé, deixando para cada filho uma caderneta com síntese histórica de sua própria vida, a certa altura assim se exprime: ¨Sou natural da freguesia de Missão Velha, minha família é assaz ilustre e domina daquela zona¨.

            Não foi sem razão, portanto que ilustres homens dos Terésios, residentes no Rio de Janeiro, a alguns anos afirmaram em ¨Carta Aberta a Toda Familia¨. ¨Já tivemos, em tempos passados, mais projeção política e social no Vale do Cariri, posição esta gerada mais pela inteligência da força que pela força da inteligência.¨    

DESCENDÊNCIA DO CEL. ANTÔNIO JOAQUIM DE SANTANA


ASCENDENTES DO CEL. ANTÔNIO JOAQUIM DE SANTANA

________________________________________________________

REFERÊNCIAS

MACEDO, Joaryvar. Imperio do Bacamarte - UFC, Edição 4, 2022. Fortzleza - Ceará.

MACEDO, Joaryvar. A Estirpe de Santa Teresa. Imprensa Universitária, UFC, 1976. Fortaleza - Ceará.

Do livro: A Estirpe de Santa Teresa - Joaryvar Macêdo (p. 105-106).

sexta-feira, 27 de março de 2026

Quinco Vasques: a história do bravo caririense e sua importância no Cariri

    A história do Cariri cearense é marcada por personagens fortes, corajosos e muitas vezes pouco conhecidos fora da tradição oral. 

    Entre esses nomes está Quinco Vasques, lembrado como um verdadeiro símbolo de bravura e resistência na região. 

 Mas afinal, quem foi Quinco Vasques e por que sua história ainda desperta interesse? 

     Neste artigo, você vai conhecer a trajetória desse personagem marcante e entender sua relevância para a memória do Cariri. 
 

Imagem com IA, a partir de imagem de arquivo da família.
Imagem criada por IA, a partir de arquivos da família.


     Quinco Vasques ficou conhecido como um dos personagens mais emblemáticos da história popular do Cariri. Sua fama está ligada à coragem, ao espírito destemido e à forma como enfrentava os desafios de sua época. Embora muitos registros sejam baseados na tradição oral, sua figura permanece viva na memória cultural da região. O contexto histórico do Cariri Para entender a importância de Quinco Vasques, é fundamental compreender o cenário em que ele viveu. 

     O Cariri, localizado no interior do Ceará, sempre foi uma região de forte identidade cultural, marcada por: 

 • Disputas territoriais 
 • Relações familiares intensas 
 • Tradição rural 
 • Histórias de resistência 

    Nesse ambiente, surgiram figuras que se tornaram lendas locais, como Quinco Vasques. 



A invasão de Lavras da Mangabeira


    Entre os episódios mais marcantes da trajetória de Quinco Vasques está a invasão da cidade de Lavras da Mangabeira, ocorrida em 7 de abril de 1910. Naquele período, o interior do Ceará vivia sob o domínio dos coronéis, que controlavam a política local e mantinham grupos armados para defender seus interesses.

    Quinco Vasques reuniu cerca de 150 homens armados e marchou durante a noite em direção a Lavras com o objetivo de derrubar do poder o Coronel Gustavo Augusto Lima, filho de Dona Fideralina, a grande líder política da cidade. Na manhã do dia 7 de abril, a cidade foi cercada e iniciou-se um combate armado que durou praticamente o dia inteiro.

Fonte: Cariri Cangaço

    O coronel Gustavo, avisado do ataque, organizou a defesa da cidade e conseguiu resistir ao ataque. A tentativa de deposição não teve sucesso, e o grupo de Quinco Vasques acabou se retirando.

    Esse episódio ficou marcado como um dos acontecimentos políticos mais importantes da história de Lavras da Mangabeira e do Cariri, representando o período em que o poder político era decidido muitas vezes pela força das armas, época conhecida como o tempo do coronelismo, descrito por Joaryvar Macedo no livro Império do Bacamarte.

    Quinco Vasques ficou conhecido como um dos homens valentes do Cariri, daqueles que viviam em uma época em que a palavra, a honra e a coragem tinham grande valor. 

    Era respeitado não apenas pela bravura, mas também pela influência que exercia na região, sendo uma figura conhecida e temida quando necessário, mas também admirada por sua postura e liderança.

 • Não recuar diante de conflitos 
 • Defender sua honra e sua família 
 • Agir com firmeza em situações difíceis.

    Essas características ajudaram a construir sua imagem como um “bravo caririense”. Tradição oral e memória popular Grande parte das histórias sobre Quinco Vasques foi preservada por meio da oralidade. 

     Isso significa que diferentes versões podem existir alguns fatos podem ter sido ampliados com o tempo  a narrativa mistura história e tradição Ainda assim, isso não diminui sua importância — pelo contrário, reforça seu papel como símbolo cultural. A importância histórica e cultural Mesmo sem ampla documentação formal, Quinco Vasques representa a identidade do povo caririense, a valorização da memória local, a força das histórias transmitidas entre gerações.

  Personagens como ele ajudam a construir o sentimento de pertencimento de uma região. Por que preservar essas histórias? Muitas histórias locais acabam se perdendo com o tempo. Registrar figuras como Quinco Vasques é essencial para manter viva a cultura regional, valorizar as raízes familiares e transmitir conhecimento às novas gerações 

    Quinco Vasques não é apenas um nome da tradição oral — ele é parte da construção histórica e cultural do Cariri. Sua história, marcada pela coragem e pela presença forte na memória popular, continua sendo um exemplo de como personagens locais podem atravessar gerações e permanecer vivos no imaginário coletivo.


Biografia Completa de Quinco Vasques em: QUINCO VASQUES - BIOGRAFIA


Siga nosso Instagram
                @familaisdocariri


BIOGRAFIA DE ANTÔNIO JOAQUIM LANDIM, ESPOSA E FILHOS


ANTÔNIO JOAQUIM LANDIM E MARIA BELARMINA DE OLIVEIRA LANDIM





Antônio Joaquim Landim, nasceu no dia 06 de setembro de 1898, no sítio Tipi, municipio de Aurora- CE, filho de Joaquim Vasques Landim (Quinco Vasques) e Maria da Luz Fernandes de Lima (Marica), casou-se com sua parenta Maria Belarmina de Oliveira Landim (Dona Santa) e foi morar no sítio Carnaúba, município de Missão Velha, dessa união  nasceram 24 filhos, dez morreram em tenra idade. Os outros, 10 homens e 4 mulheres, seguem listados abaixo:

1º - Odilon Vasques Landim
2º - José Vasques Landim
3º - Francisco Vasques Landim
4º - Dionisio Vasques Landim
5° - Jovane Vasques Landim

7º - Azarias Vasques Landim
8º - João Vasques Landim
9º - Dolores Landim Macedo
10º - Juarez Vasques Landim
11º - Afonso Vasques Landim
12º - Jocel Vasques Landim (Bosco)
13º - Maria do Socorro Landim Santana

14º - Raimunda Aparecida Landim Pinheiro



    Antônio Joaquim Landim, morou por quase toda sua vida no sítio onde nascera. Em meados da década de 80 foi morar com sua esposa e filhos na cidade de Juazeiro do Norte onde faleceu no dia 10 de abril de 1984, sua esposa, Dona Santa viveu mais 6 anos, vindo a falecer no dia 27 de janeiro de 1990 aos 80 anos de idade, na mesma residência.
   

QUINCO VASQUES E O ATAQUE A LAVRAS DA MANGABEIRA


Ataque a Lavras da Mangabeira – 07 de abril de 1910



Imagem gerada por IA a partir de descrição histórica.


    No dia 07 de abril de 1910, ocorreu um dos acontecimentos mais marcantes da história política do Cariri e do sul do Ceará: o ataque armado à cidade de Lavras da Mangabeira, realizado com o objetivo de derrubar do poder o Coronel Gustavo Augusto de Lima, filho da célebre Fideralina Augusto de Lima, uma das figuras mais poderosas do coronelismo nordestino.








    A família Augusto de Lima comandava um dos mais fortes núcleos de poder político dos sertões nordestinos, exercendo influência política, econômica e social sobre toda a região. O domínio político da família era tão forte que Lavras da Mangabeira se tornou um dos maiores símbolos do coronelismo no Ceará.

A marcha para Lavras


    A expedição armada que seguiu em direção a Lavras da Mangabeira foi liderada pelo destemido Joaquim Vasques Landim, mais conhecido como Quinco Vasques, que na época tinha 36 anos de idade.

Joaquim Vasques Landim - QUINCO VASQUES
Foto restaurada com uso de Inteligência Artificial 



    Ao anoitecer do dia 06 de abril de 1910, Quinco Vasques partiu do Sítio Bico da Arara, localizado na Serra de São Pedro, com destino a Lavras da Mangabeira. Ele seguia montado a cavalo à frente do grupo, acompanhado inicialmente por cerca de cinquenta homens armados.

    Durante o percurso, outros homens foram se juntando ao grupo, aumentando a tropa até chegar a aproximadamente cento e cinquenta homens, que seguiram determinados em direção à cidade. O objetivo era claro: atacar Lavras da Mangabeira e enfraquecer o poder político do coronel Gustavo Augusto de Lima.

    Quando a tropa liderada por Joaquim Vasques Landim, o Quinco Vasques, aproximou-se de Lavras da Mangabeira, em abril de 1910, o fator surpresa já não existia mais. O chefe político lavrense já havia sido avisado de que a cidade seria atacada e, por isso, tratou de organizar a defesa, reunindo homens armados e contando com o apoio da polícia.

    Mesmo sabendo que a cidade estava preparada para recebê-lo “a bacamarte”, Quinco Vasques não desistiu da investida. Instalado com seu grupo no Sítio Outeiro, nas proximidades da cidade, ele tomou uma atitude que mostra que o ataque não era apenas uma ação de violência, mas também um movimento político e estratégico: enviou bilhetes às autoridades locais.

Foram enviados dois bilhetes por intermédio de um portador, dirigidos:

Ao Coronel Gustavo Augusto de Lima, chefe político de Lavras da Mangabeira;
Ao comandante do destacamento policial da cidade.

    Nos bilhetes, Quinco Vasques comunicava sua presença nas proximidades da cidade e fazia uma espécie de intimação, pedindo que não houvesse resistência, para evitar derramamento de sangue. Era uma tentativa de rendição antes do confronto.

    Esse tipo de atitude era comum nos conflitos políticos da época. Muitas vezes, antes de ataques ou invasões, eram enviadas mensagens para dar oportunidade de rendição ou negociação, evitando combates maiores.

    Mesmo assim, a defesa da cidade não recuou. O grupo ligado à família Augusto, liderado politicamente pela poderosa Fideralina Augusto de Lima e por seu filho, o Coronel Gustavo Augusto, decidiu resistir.

Sem acordo e sem rendição, o confronto tornou-se inevitável.

    Na manhã do dia 7 de abril de 1910, por volta das primeiras horas do dia, a tropa de Quinco Vasques entrou em Lavras da Mangabeira, dando início a um dos episódios mais marcantes das lutas políticas armadas do sul do Ceará, um fato que entraria para a história como o ataque a Lavras da Mangabeira.

Imagem gerada por IA a partir de descrição histórica.


    Durante o ataque a Lavras da Mangabeira, em 7 de abril de 1910, o grupo ligado ao coronel Gustavo Augusto de Lima organizou a defesa e fez reduto na própria residência do coronel, localizada na então rua do Piripau, conhecida atualmente como rua Hilda Augusto, nas proximidades do Alto.

    Das portas e janelas do oitão da casa, os defensores atiravam contra os homens do grupo de Quinco Vasques, sustentando um intenso tiroteio que se prolongou por várias horas. Segundo registros do processo judicial da época, o combate começou pela manhã e se estendeu até a noite, havendo testemunhos que afirmam que o tiroteio durou cerca de oito horas.



    Um dos depoimentos mais importantes foi o do próprio coronel Francisco Augusto Correia Lima, que relatou que um grupo de aproximadamente doze cangaceiros aproximou-se da casa do coronel Gustavo Augusto de Lima, quebrando a porta da frente e mantendo intenso tiroteio contra a residência, com a intenção de matar o coronel.

    Enquanto parte do grupo atacava a casa, outros homens aproveitavam a confusão para quebrar móveis e saquear casas, levando tudo o que podiam. O prejuízo foi calculado em valores altos para a época, registrados em réis.

    Durante o conflito, outras casas da rua Grande também foram invadidas, com portas arrombadas “a coice de rifles e bacamartes”. Ao todo, cerca de seis casas foram saqueadas, com prejuízos estimados entre cento e cinquenta e duzentos mil réis para cada residência, valores consideráveis para o período.

    Apesar do ataque, o coronel Gustavo conseguiu resistir com o grupo de homens que havia recrutado para a defesa da cidade. O combate só terminou quando a munição dos atacantes começou a acabar e chegaram reforços policiais vindos de Icó, enviados para ajudar na defesa de Lavras da Mangabeira.

    Com a falta de munição e a aproximação das forças policiais, o grupo liderado por Vasques foi obrigado a bater em retirada, encerrando o ataque.

Integrantes do grupo de Quinco Vasques

    Documentos do processo da época registram o nome de vários integrantes do grupo que participou do ataque. Entre eles estavam:

José Lino Simões
Fenelon Carneiro Guerra
Vicente Maurício
José Terto
Manuel Mouco
Matias (sem sobrenome identificado)
Belo Fernandes, conhecido como Belinho
Pedro Calangro
João Marreca
Antão (sem sobrenome identificado)
Joaquim Gonçalves
José Cornélio
Antônio Sabino
João Mariano
José Rosa
João Paulino
Ildefonso (sem sobrenome identificado)
Joaquim Jardim
Antônio Rosa
Josino, filho de Antão
Tremeterra
Zezé

    Esses nomes aparecem em registros do processo e ajudam a identificar os participantes do ataque, sendo importantes para pesquisas históricas e genealógicas das famílias da região.


O Rescaldo do Conflito


Baixas:

Do lado de Quinco Vasques, houve vários feridos. 
Do lado do Coronel Gustavo, a baixa principal foi o subdelegado local, Possidônio Faustino da Silva, que perdeu a vida.

 Refúgio e Apoio: 

    Os homens de Quinco retiraram-se para o Sítio Calabaço, de propriedade de Joaquim Lôbo de Macêdo e Dona Maria Joquina da Cruz. Por serem parentes e compadres de Quinco, ofereceram a casa do engenho para curar os feridos e dar descanso ao batalhão, enquanto na casa grande repousava o chefe.


O Papel de Nazário Furtado Landim


A advertência: 

    O major Nazário Furtado Landim, residente em Juazeiro e também parente/compadre de Quinco Vasques, enviou uma carta (missiva) com um conselho urgente. Nazário pediu que Quinco dispensasse seus homens armados ("despeça este pessoal") e evitasse qualquer violência ou roubo. Ele alertou que a permanência de Quinco naquela situação impedia sua reabilitação perante a lei e que, caso não seguisse o conselho, o Governo tomaria medidas severas e imediatas.


A Rede de Proteção na Paraíba

Fuga Estratégica: 

    Com recomendação do Coronel José Augusto de Oliveira (o Zé Borrego) de Lavras, Quinco Vasques buscou refúgio na Paraíba, na cidade de São João do Rio do Peixe (atual Antenor Navarro), onde ficou sob a proteção do influente Padre Joaquim Cirilo de Sá (Padre Sá). O texto explica que essa proteção era baseada em laços familiares sólidos: dois irmãos de José Augusto eram casados com dois irmãos do referido padre.

Padre Joaquim Cirilo de Sá - Padre Sá
Fonte: ancestors.familysearch.org



A Captura e o Interrogatório de Quinco Vasques

    Após o cerco a Lavras, a trajetória de Quinco Vasques tomou um rumo judicial em solo paraibano, revelando a complexa teia de alianças por trás do conflito.  

Prisão na Paraíba

Captura e Soltura

    Após o malogro, Quinco Vasques foi capturado em 1º de junho no lugar Poço, na Paraíba, e detido em Sousa antes de ser recambiado para Lavras. No entanto, sua estadia na prisão foi curta. Mandões influentes da região, como Domingos Furtado e Antônio Santana, providenciaram rapidamente sua soltura.  

Interrogatório Inicial: 

    No dia 3 de junho, foi ouvido pela Justiça em Sousa. Ao ser questionado sobre suas relações, citou figuras de peso como o Padre Sá, Antônio Leite (deportado de Aurora) e a família Amador.  

Revelações sobre o Ataque

    Durante os depoimentos, Quinco detalhou como a ofensiva contra o Coronel Gustavo foi planejada:  

O Mentor: 

Segundo Vasques, foi Antônio Leite quem elaborou o plano do ataque com os demais assaltantes.  

Financiamento: 

    Ele afirmou que o próprio Antônio Leite forneceu o dinheiro necessário para a execução da "empresa" armada.  


Curiosidades e Defesa Pessoal

O interrogatório também registrou momentos curiosos que demonstram o perfil do investigado:


Conflitos em Cajazeiras: 

    Quando questionado sobre crimes naquela região, Quinco negou delitos graves, admitindo apenas ter dado "um crister de pimenta" em um homem chamado Francisco Salvino, que teria tentado tomar suas terras cerca de três anos antes.  


Recambiamento: 

    Em 13 de junho, Quinco foi transferido de volta para Lavras, onde passou a ser inquirido pelo juiz Alfredo de Oliveira.

A Motivação: Perseguição e Honra

    Quinco Vasques não aceitou o comando da investida por acaso. Ele revelou em juízo que o Coronel Gustavo Augusto Lima havia oferecido dez contos de réis por sua cabeça e contratado o cangaceiro "Sipaúba do Góis" para matá-lo. A tensão aumentou quando um suposto trabalhador, infiltrado na propriedade de Quinco, confessou ter sido enviado pelo Coronel Gustavo para assassiná-lo.  

O Objetivo Estratégico

    Diferente do que se possa pensar, o plano não era matar o Coronel Gustavo, o que poderia ser feito em uma simples emboscada de estrada. O objetivo era político:  

    Destronar o Coronel Gustavo: O grupo queria depor o coronel para que José Borrego (Zé Borrego) assumisse a chefia política de Lavras.  

    Retomada de Aurora: A queda de Gustavo em Lavras facilitaria o retorno do Coronel Antônio Leite (Totonho Leite) ao poder em Aurora, de onde havia sido expulso em 1908. 


O Conluio e o Financiamento

    O ataque foi uma operação conjunta entre os dissidentes da família Augusto e os grupos políticos de Aurora. Segundo o depoimento de Quinco Vasques:  


Mandantes: 

    Manuel Gonçalves Ferreira, Antônio Leite Teixeira Neto e Davi Saburá.  

Logística: 

Antônio Leite e Davi Saburá forneceram, cada um, um conto de réis, enquanto Manuel Gonçalves contribuiu com duas cargas de balas de rifles. 
 

Intermediário: 

Joaquim Torquato foi o responsável por entregar o dinheiro e as munições.  

Por que o ataque falhou?

    Apesar da bravura de Quinco, o cerco sucumbiu devido a falhas de planejamento:  

Exaustão: 

    Os homens chegaram fatigados após marcharem a pé em um ritmo acelerado (mais de uma légua por hora).  

Inferioridade Numérica: 

    O contingente de Quinco era inexpressivo diante da defesa preparada pelo Coronel Gustavo.  

Falta de Munição: 

    Os atacantes não tinham suprimentos suficientes para um combate prolongado.  


A Figura de Quinco Vasques


    O texto consagra Quinco como um dos homens mais destemidos do Cariri, capaz de violar o "feudo" de Dona Fideralina e dos Augustos. Além deste ataque, ele é lembrado por enfrentar os coronéis Sinhô Dantas e Isaías Arruda em Missão Velha, e por peitar os "Paulinos de Aurora" acompanhado de apenas três filhos.

Quinco Vasques ao centro com cinco seus dez filhos, cinco ao seu lado direito e cinco ao seu lado esquerdo
Fonte: arquivos da família


Um episódio do tempo do coronelismo

    Esse episódio ocorreu em uma época em que o interior nordestino vivia sob o domínio dos coronéis, grandes proprietários de terras que controlavam a política local, as eleições, a economia e muitas vezes mantinham grupos armados para defender seus interesses.

    Os conflitos políticos frequentemente se transformavam em confrontos armados, invasões de cidades e perseguições a adversários. Era o tempo em que o poder muitas vezes era garantido pela força das armas, período que ficaria conhecido posteriormente como o tempo do bacamarte.

    O ataque a Lavras da Mangabeira entrou para a história como um dos episódios mais importantes das lutas políticas armadas do Cariri e demonstra como eram intensas as disputas pelo poder na região no início do século XX.


História e memória do Cariri


    A história de personagens como Quinco Vasques e dos conflitos envolvendo as grandes famílias do Cariri faz parte da formação histórica e social da região. Esses acontecimentos ajudam a entender não apenas a política da época, mas também a formação de muitas famílias, alianças e rivalidades que marcaram a história do sul do Ceará.

    Resgatar esses fatos é preservar a memória do nosso povo e compreender melhor a história das famílias tradicionais do Cariri e dos sertões cearenses.




Winchester - 1873, mais conhecido como Rifle Papo Amarelo, modelo da arma utilizada por Quinco Vasques no Ataque a Lavras da Mangabeira.



Modelo semelhante a imagem 01 porém com o cano curto.




Rifle original utilizado por Quinco Vasques no Ataque a Lavras da Mangabeira. Qunco Vasques presenteou cada um de seus filhos com um rifle semelhante a este.





Rifle utilizado por Quinco Vasques 




____________________________________________________________________________________________
Referências
MACEDO, Joaryvar. Um Bravo Caririense. Crato: Emp. Gráfica Ltda., 1964.
PINHEIRO, Irineu. Efemérides do Cariri. Fortaleza: Imprensa Universitária, 1963.

Leitura complementar
LEAL, Victor Nunes. Coronelismo, Enxada e Voto.
MACEDO, Joaryvar. O Império do Bacamarte.

Outras fontes:
Registros e imagens históricas capturadas online ou de arquivos da família.









ANTÔNIO JOAQUIM LANDIM E SEUS DESCENDENTES


ANTÔNIO JOAQUIM LANDIM 





Maria Belarmina de Oliveira Landim




                                                                                                                             

Antônio Joaquim Landim, nasceu no dia 06 de setembro de 1898, no sítio Tipi, municipio de Aurora- CE, filho de Joaquim Vasques Landim (Quinco Vasques) e Maria da Luz Fernandes de Lima (Marica), casou-se com sua parenta Maria Belarmina de Oliveira Landim (Dona Santa) e foi morar no sítio Carnaúba, município de Missão Velha, dessa união  nasceram 24 filhos, dez morreram em tenra idade. Os outros, 10 homens e 4 mulheres, seguem listados abaixo:






2º - José Vasques Landim

3º - Francisco Vasques Landim

4º - Dionisio Vasques Landim


5° - Jovany Vasques Landim



7º - Azarias Vasques Landim

8º - João Vasques Landim


9º - Dolores Landim Macedo




10º - Juarez Vasques Landim




11º - Afonso Vasques Landim




12º - Jocel Vasques Landim (Bosco)




13º - Maria do Socorro Landim Santana




14º - Raimunda Aparecida Landim Pinheiro




    Antônio Joaquim Landim, morou por quase toda sua vida no sítio onde nascera. Em meados da década de 80 foi morar com sua esposa e filhos na cidade de Juazeiro do Norte onde faleceu no dia 10 de abril de 1984, sua esposa, Dona Santa viveu mais 6 anos, vindo a falecer no dia 27 de janeiro de 1990 aos 80 anos de idade, na mesma residência.


Obs: pedimos aos visitantes deste blog que nos envie informações para que possamos complementar as publicações.