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sábado, 28 de março de 2026

OS TERÉSIOS: ORIGEM E PRIMEIRAS GERAÇÕES NO CARIRI


    A história da família conhecida como Terésios remonta ao período de colonização do Vale do Cariri, no sul do Ceará, quando os primeiros povoadores se estabeleceram na região, formando fazendas, engenhos e dando origem a importantes troncos familiares que se espalhariam por todo o Cariri e sertões vizinhos.

    Entre esses pioneiros destacam-se o CAPITÃO JOSÉ PAES LANDIM e sua esposa GERALDA RABELO DUARTE, considerados os fundadores do Engenho de Santa Teresa, localizado no território do atual município de Missão Velha. A partir desse casal teve início a linhagem que ficaria conhecida como Terésios, nome associado ao Engenho Santa Teresa, origem do grupo familiar.

    Dos filhos do casal fundador, destaca-se o Capitão Domingos Paes Landim, casado com Isabel Cruz Neves, considerado o principal tronco de onde se ramificaram diversos sobrenomes tradicionais da região, entre eles: Landim, Vasques, Cruz, Santana, Macedo, Sobreira, Pita, Lobo, Pinheiro, Bezerra de Menezes, Belém, entre outros.

    A partir desse tronco familiar, os descendentes espalharam-se por várias localidades do Cariri, contribuindo para o povoamento, a formação de fazendas, vilas e posteriormente cidades, tornando-se parte importante da história social e econômica da região.


CAPITÃO DOMINGOS PAES LANDIM. Registro de casamento, copiado do original, em Joaryvar Macedo, A Estirpe de Santa Teresa, pág. 16, “Aos dez dias do mês de novembro de mil e setecentos e cincoenta e seis anos no Sítio de Santana desta freguesia de Nossa Senhora da Luz dos Cariris Novos, feitas as denunciações nesta Matriz onde os contraentes são moradores, sem descobrir impedimento algum, em minha presença presentes por testemunhas José Paes Landim e Manuel Paes Landim, pessoas conhecidas, se casaram solenemente por palavras de presente, o Tenente Domingos Paes Landim, filho legítimo do Capitão José Paes Landim e Geralda Rabelo, Natural desta Freguesia, com Isabel da Cruz Neves, filha legítima do Sargento-Mor Manuel da Cruz Neves, já defunto e de Joana Fagundes da Silveira natural da freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Cabrobó, logo lhes dei as bênçãos conforme os ritos e cerimônias da Santa Madre Igreja de Roma de que fiz assento e por ser verdade assinei... Gonçalves Coelho de Lemos -Cura.”   

DESCENDÊNCIA DO CAPITÃO DOMINGOS PAES LANDIM E ISABEL CRUZ NEVES 

FILHOS E NETOS DO CASAL:

A) LUISA PAES LANDIM. Casada aos 17/11/1795, com o Capitão Manuel Antônio de Jesus, pernambucano do Cabo, viúvo de Eugênia Francisca de Jesus, e filha do português Tomás Varela de Lima e da pernambucana, também do Cabo, Mariana Ribeiro Calado. O Capitão Manuel Antônio de Jesus faleceu em, 24/02/1828, aos 77 anos, e foi sepultado na Matriz de Missão Velha. É ele o tronco dos Jesus do Cariri. filhos:

A.1.) Capitão Manoel Antônio de Jesus Junior. Casado duas vezes, primeiro com Rita Maria de Lima em 17/08/1826, e segundo com Maria Teres de Jesus. Rita Maria de Lima era filha de Pedro Francisco Vasques, europeu da Galiza, e Francisca Rodrigues Lima e neta materna do capitão Bartolomeu Martins de Morais, português do Porto e Ana Maria Ferreira, baiana de Salvador.

A.2.) Ana da Apresentação de Jesus. Casada aos 17/01/1816 com Alexandre Raimundo Bezerra, natural do Crato, filho do Capitão Carlos Zacarias de Rezende e Jerônima Maria. O livro de batizados de Missão Velha 1795-1803, fls. 64 v. registra: Ana, f. l. de Manuel Antônio de Jesus e Luisa Paes Landim, nascida em 1797. É o quanto sei sobre Ana da Apresentação de Jesus. 

A.3.) Maria Ribeiro Calado. Casada aos 24/05/1826 com João Francisco Vasques, filho de Pedro Francisco Vasques, natural da Galiza e Francisca Rodrigues Lima. NOTA: O livro de batizados de Missão Velha de 1975-1803, fls. 258, dá: Maria, f. l. de Manuela Antônio de Jesus e Luisa Paes Landim, nascida em 29/10/1800. 

A.4.) Tenente José Antônio de Jesus. Segundo informe do desembargador Manoel Joaquim de Santana ao autor, este seu bisavô tomou parte nos batalhões recrutados pelo destemeroso Capitão-mor José Pereira Filgueiras, para combater no Piauí e no Maranhão, as forças do general português, Cunha Fidié.

NOTA: O livro de Batizados de Missão Velha, de 1795-1803, folha 129, dá: f.l. de Manuel Antônio de Jesus e Luisa Paes Landim, nascido em outubro de 1798. O tenente José Antonio de Jesus casado com Maria Vieira Correia de Sampaio (Mariazinha), filha de Jorge Machado, português, e Ana Correia de Sampaio ou Ana Vieira de Jesus.

NOTA: O Tenente José Antônio de Jesus e Maria Vieira Correia de Sampaio foram os pais de Jacinta Maria de Jesus (Iaiá). A seu respeito registra-se fato singular. Foi genitora de dois expoentes do mandonismo sertanejo (Cel. Antônio Joaquim de Santana - Cel. Santana e Cel. João Raimundo de Macêdo - Joca do Brejão) que, no Ceará, teve sua apoteose ao tempo da oligarquia aciolina. Jacinta casou-se duas vezes na família. Primeiro com Juvêncio Joaquim de Santana, filho de Manuel Joaquim de Santana e Deodora Ferreira Lima ou Deodora Fernandes Vieira Melo, segundo com Raimundo Antônio de Macêdo (Mundoca), filho de João Antônio de Macêdo e Maria das Dores da Encarnação. 

A.5.) Luís. Falecido em 04/06/1803, com 6 meses de idade, e foi sepultado na Matriz de Missão Velha.

A.6.) Pedro Antônio de Jesus (Pepedo ou Pedro Manuel). Casado com Maria Antônia de Jesus (Sinhara).

A.7.) Major João Antônio de Jesus (Major Janjoca). Figura de projeção social e política, em Missão Velha, na segunda metade do século XIV. Alí exerceu entre outros cargos o de Juiz de Órfãos. Consoante informação do Desembargador Manuel Joaquim de Santana, o repentista Zé de Matos decantou o prestígio do Major janjoca e de três outros poderosos do Cariri, nesta quadra:

“Na Missão Velha Janjoca
No Brejão Antônio Joaquim
No Roncador Padre João,
Tonico Cruz no Jardim.”

O Major Janjoca casou com sua sobrinha legítima Maria Francisca de Jesus (Mariazinha), filha de seu irmão Capitão Miguel Manuel Antônio de Jesus Junior e Rita Maria de Lima.

B) ANA. Faleceu com 3 anos e meio, aos 12/04/1770.


C) ANTÔNIA PAES RABELO. Casada com Antônio Manuel de Paes. O casamento realizou-se no engenho Santa Teresa, em casa do pai da nubente, aos 15/07/1789. 

D) JOAQUINA PAES LANDIM. Casada aos 13/02/1804 com Francisco da Silva Belém, natural da freguesia de Santo Antônio do Rio Fundo, Bahia, filho de Luis Correia Franco e Potenciana Joaquina da Conceição. O casamento realizou-se no Engenho de Santa Teresa. Francisco da Silva Belém era irmão, de pai e mãe, do Comandante Joaquim José de Santana, tronco da família SANTANA do Cariri cearense. Segundo o historiador Padre Antônio Gomes de Araújo; de Joaquina Paes Landim com seu marido Francisco da Silva Belém procede a família BELÉM do Cariri. (“A Bahia nas Raizes do Cariri”, in Itaytera, Ano I, nº I, 1955, págs. 19 e 44). 

D.1.) Luisa Paes Landim. Casada aos 06/01/1826, com André Pinto de Mendonça, natural da Freguesia de Missão Velha, filho de Joaquim Aleixo de Mendonça e Maria Caetana de Assunção.

D.2.) Ana Paes Landim. Casada aos 28/02/1832, com João Pereira de Mendonça, caririense, filha de Joaquim Aleixo de Mendonça e Maria Caetana de Assunção. 

D.3.) Maria Paes Landim. Casada aos 06/03/1832, com Manuel Ferreira da Costa, filho de José Ferreira da Costa e Maria Florência.

D.4.) Manuel. Nascido em 15/03/1821

D.5.) Antônio da Silva Belém. Segundo informações a mim prestada por Mons. Raimundo Augusto de Araújo Lima, Vigário Geral da Diocese do Crato e pesquisador a Genealogia caririense, Antônio da Silva Belém casado com Maria Angélica Furtado de Figueiredo, filha de Gabriel Furtado de Figueiredo ou Gabriel José de Figueiredo (filho do Alferes Manuel Temóteo de Figueiredo e Antônia Maria Romana), e de Maria Furtado Leite, (filha do Alferes Manuel Furtado Leite e Joana Correia Platena e Sá).

De Antônio Silva Belém e sua mulher advém os BELÉM DE FIGUEIREDO, ramo dos Terésios, ao qual se vinculam: Cel. José Belém de Figueiredo, antigo chefe político do Crato, deposto em 1904, e vice-Presidente do Estado do Ceará, Cel. Antônio Belém de Figueiredo, irmão do precedente, Dr. Cursino Belém de Figueiredo que pertenceu à Academia de Letras e ao Tribunal de Justiça do Ceará, Dr. Manuel Belém de Figueiredo, médico e farmacêutico em Juazeiro do Norte, Dr. Hildegardo Belém de Figueiredo, clínico, Dr. Manuel Belém de Figueiredo (outro) que foi deputado à Assembleia Estadual Cearense e catedrático da Faculdade de Direito do Ceará, Zuleide Belém de Sá Barreto e Zuila Belém de Figueiredo, professoras do Centro Educacional Prof. Moreira de Sousa, de Juazeiro do Norte, Dr. Luciano Humberto de Mendonça Belém, Juiz de Direito no Estado da Guanabara, e tantos outros Belém, ilustres ou não. Foi o que consegui saber sobre a prole de Joaquina Paes Landim. 


E) LEOCÁDIA PAES LANDIM. Falecida, viúva com 70 anos de idade, em 09/01/1829, e foi sepultada na Matriz de Missão Velha, “de grades acima, envolta em hábito branco”. Fora casada com o Alferes Joaquim Antônio de Macêdo, português do Bispado e Leiria, e tronco dos MACÊDOS do Cariri. 
Porquanto foi registrado que o Alferes Joaquim Antônio de Macêdo era baiano de Salvador, em Itaytera, nº I, ano I, 1955, pág. 26, transcrevo parte de um dos registros eclesiásticos que provam a origem lusa do citado Alferes. 
"Ana, filha legítima de Joaquim Antônio de Macêdo, natural do Bispado de Leiria e de sua mulher Leocádia Paes Landim, natural desta freguesia de São José do Cariri Novo e moradores em Santa Teresa, neta paterna ignora-se e materna de Domingos Paes Landim, natural desta freguesia de São José do Cariri Novo e de sua mulher Isabel da Cruz Neves, natural do Rio de São Francisco ...” (Livro de Batizado Missão Velha, 1795-1803, fls. 278).

De Leocádia e seu marido topei os filhos seguinte: 

E.1.) Clemência Teresa de Jesus. Casada aos 31/10/1808, no Engenho de Santa Teresa com Manuel José de Sousa, do Icó, filho do Capitão Manuel de Lavor Paes e Bernardina Gomes do Bonfim. 

E.2.) Manuel Joaquim de Macêdo. Casou aos 9/11/1811, na Matriz de Nossa Senhora da Expectação do Icó, com Ana Francisca do Sacramento; filha de Antônio Cardoso e Francisca Xavier da Silva. É quanto sei sobre ele. 

E.3.) Joaquina Teresa de Macêdo. Aos 8/4/1825, no Engenho de Santa Teresa, casou-se com seu primo legítimo Vicente Ferreira da Cruz, filho de seu tio materno José da Cruz Neves e Inácia Maria de Jesus Ferreira. Residiram no sítio Paus Brancos. Do inventário de Joaquina Teresa de Macêdo, feito em 1856, constam, dela com seu marido, dez filhos. 

E.4.) Ana Joaquina da Encarnação. Casada aos 21/08/1830 com Vicente Ferreira de Carvalho, natural de Lavras da Mangabeira, filho de Alexandre Gonçalves de Carvalho e Anastácia Gomes de Jesus. 

E.5.) Antônio. Falecido aos 9 anos de idade, em 02/04/1793 e foi sepultado na Matriz de Missão Velha. 

E.6.) Antônio (outro). Falecido com um ano de idade, em 01/03/1799 e foi sepultado na Matriz de Missão Velha. 

E.7.) Manuel. Falecido com 13 dias, em 07/01/1802 e foi sepultado na Matriz de Missão Velha. 

E.8.) Capitão José Joaquim de Macêdo. Residiu em Crato, onde foi proprietário de vários sítios. Em 1862, serviu ali de testemunha no processo de ordenação do Padre Pedro Ferreira de Melo. Casou-se com Rosa Perpétua do Sacramento, de Crato, filha do sergipano Antônio Ferreira Lobo e da caririense Rita Perpétua, casal trocnco dos LOBOS do Buriti-Crato. Rita Perpétua era filha do Capitão João Lobo de Menezes e Rita Maria Bezerra, e neta por via paterna, de Manuel Cabral de Melo e Maria do Amparo Bezerra, e por via materna, do paraibano Alferes Manuel de Sousa Pereira e da caririense Caetana Perpétua do Nascimento Bezerra de Menezes. O Alferes Manuel de Sousa Pereira era filho do português lisboeta Antônio de Sousa Pereira e Maria da Silva Correia, natural de “Tacoara”, e sua mulher Caetana Perpétua era filha do sergipano Capitão Antônio Pinheiro Lobo e Mendonça e sua mulher, a pernambucana Joana Bezerra Monteiro ou Joana Bezerra de Menezes, e irmã do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro. O Capitão Antônio Pinheiro Lobo e Mendonça, que descendia em linha reta do casal luso-tupinambá Diogo Álvares Correia, o Caramuru, e Catarina Álvares, a Paraguaçu, é tronco, no Cariri, dos BEZERRAS DE MENEZES, PINHEIROS, MONTEIROS, LOBOS DE MACÊDO, entre outros. 

Viúvo, o Capitão José Joaquim de Macêdo casou a segunda vez, aos 23/11/1853, em Crato, com a viúva do Coronel Francisco Xavier de Sousa, Maria Xavier e Sousa, com quem provavelmente não teve filhos. Os LOBO DE MACÊDO procedem dele com a primeira mulher – Rosa Perpétua do Sacramento. Seus filhos nasceram no Crato. 

E.9.) Francisco Antônio de Macêdo. Casado com Perpétua Maria do Sacramento ou Perpétua Mariana de Macêdo, cratense, filha de Antônio Ferreira Lobo e Rita Perpétua. 

E.10.) João Antônio de Macêdo. Casado três vezes, nos Terésios. 1ª com Francisca de Freitas Bizarria; 2ª com Maria de Freitas Bizarria, irmãs, suas primas legítimas filhas de Manuel de Freitas Fragoso e Maria da Cruz Neves; 3ª com Maria das Dores da Encarnação (Dôre), filha de Antônio Paes Landim Júnior e Cosma Maria do Amor Divino. O 2º casamento de João Antônio de Macêdo realizou-se aos 11/04/1836 na então capela de Santo Antônio em Barbalha. Sua terceira mulher, enviuvando, convolou segundas núpcias com Manuel Inácio da Cruz.
F) MARIA DA CRUZ NEVES. Casada aos 11/11/1793, no Engenho de Santa Teresa, com seu primo legítimo, natural do Icó, Manuel de Freitas Fragoso, filho de Francisco Freitas Fragoso, natural de Olinda, e de Eufrásia da Cruz Neves.

F.1.) Francisca de Freitas Bizarria. Casou-se com o primo legítimo João Antônio de Macêdo, filho do Alferes português Joaquim Antônio de Macêdo e Leocádia Paes Landim.

F.2.) Isabel. Batizou-se em 1796...

F.3.) Maria de Freitas Bizarria. Aos 11/04/183, na então capela de Santo Antônio de Barbalha, casou-se com João Antônio de Macêdo, viúvo de sua irmã Francisca de Freitas Bizarria.

F.4.)  Antônia. Nascida aos 27/07/1802...

G) JOSÉ DA CRUZ NEVES. Aos 05/11/1796 casado com Inácia Maria de Jesus Ferreira, natural da Serra do Martins, filho de Leandro Borges e Sebastiana a Fonseca Ferreira.

G.1.) Maria da Conceição de Jesus ou Maria da Cruz Neves. Aos 30/11/1802 casada com Joaquim Paes Landim, seu primo segundo, filha do Tenente Antônio Paes Landim e Antônia Clara Josefa Mariana, e viúvo de Ana Maria de Jesus.

G.2.) Padre José Francisco Sales Landim. Segundo a tradição da família era conhecido como “Padre Landim” e teria residido no Estado do Maranhão onde possuía propriedades, tendo deixado descendentes lá. Encontrei-o em minhas escavações, celebrando cerimônias religiosas de batizados, na freguesia de Missão Velha em 1842, 1844, 1854, 1855, e de casamentos, no sítio Francisco Gomes, freguesia do Cato, no preito ano de 1855.

G.3.) Francisca de Sales Landim. Casada com seu primo legítimo, Domingos Paes Landim (homônimo do Avô – Capitão Domingos Paes Landim). Falecido com 42 anos de idade, aos 18/11/1837, sendo sepultado na Matriz de Missão Velha.

NOTA: Francisca Sales Landim e Domingos Paes Landim são pais de Joaquina de Sales Landim (Quininha), aos 13/09/1859 na Santa Teresa, casada com seu primo legítimo João Manuel da Cruz (Joca da Gameleira), filho de Manuel Inácio da Cruz e Josefa Maria do Espírito Santo. Estes por sua vez são pais de Maria da Soledade Landim (Marica Macêdo ou Marica do Tipi). Falecida aos 06/01/1924. Residia no Sítio Tipi, município de Aurora, onde se tornou politica de muita influência (ver história em outra publicação). 

G.4.) Antônia Maria de Jesus. Aos 15/07/1830, na Santa Teresa, casada com Antônio Lopes do Bonfim, natural da Freguesia de Missão velha, filho de João Lopes Caminha e Maria da Visitação de Jesus. 

G.5.) Maria da Penha de Jesus. Casada aos 15/07/1832, na Santa Teresa, com João Moreira da Costa, cratense, viúvo de Maria Josefa da Conceição, sepultada na Matriz do Crato. Residiram no Sítio Francisco Gomes, no município cratense.

G.6.) Vicente Ferreira da Cruz ou Vicente da Cruz Neves. Aos 08/04/1825 casado com sua prima legítima Joaquina Teresa de Macêdo, filha do Alferes Joaquim Antônio de Macêdo e Leocádia Paes Landim.

G.7.) Manuel Inácio da Cruz. Casado duas vezes, 1ª com Josefa Maria do Espírito Santo, filha de Lourenço Saraiva da Silva e Rosa Francisca do Espírito Santo, 2ª com Maria das Dores da Encarnação (Dôre), dos Terésios, filha de Antônio Paes Landim Júnior e Cosma Maria do Amor Divíno, e viúva de João Antônio de Macêdo, de quem tinha sido terceira mulher. O seu segundo casamento, que foi abençoado pelo Padre José Francisco de Sales Landim, realizou-se em seu próprio oratório, aos 12/02/1865, como reza o registro: “... no oratório de Manuel Inácio da Cruz, no Sítio Santa Teresa...”

G.8.) Ana. Nascida em 24/01/1801.

G.9.) José. Nascido em 17/01/1814.

H) PERPÉTUA. Batizou-se aos 19/03/1762. 

I) ÚRSULA PAES LANDIM. Casada com Joaquim de Albuquerque Pita, natural de Olinda – PE, filho de Luis de Melo Albuquerque Pita. O Casal é tronco dos PITAS do Cariri cearense.
I.1.) Izabel da Cruz Neves. Falecida viúva, com 70 anos, aos 26/01/1850, sendo sepultada na Matriz de Missão Velha. Casada aos 28/05/1808 com Luis do Rêgo Barros, filho de Luis do Rêgo Barros e Josefa Maria da Conceição.

I.2.)Manuel. Falecido com 40 dias, aos 26/05/1793, foi sepultado na Matriz de Missão Velha.

I.3.) Luis de Melo de Albuquerque. Falecido solteiro a 27/07/1801 e foi sepultado na Matriz de Missão Velha.

I.4.) José. Falecido com 6 anos, em 19/02/1798, sendo sepultado na Matriz de Missão Velha.

I.5.) Pedro José de Albuquerque Pita. Casado com Gertrudes Maria Xavier, natural de Icó.

I.6.) Inês. Nascida aos 23/07/1799.

I.7.) Joaquim José de Albuquerque Pita. Casado com Rufina Maria Xavier, em 1818, ela natura do Icó e filha de Manuel Gonçalves Aleixo e Rita Maria Xavier.

I.8.) João Pita Pôrto. Casado aos 26/11/1829, com Maria Germana de Jesus, filha de José Joaquim Ferreira Lima e Francisca das Chagas de Jesus.

J) SIMÃO RODRIGUES DAS NEVES. Casado duas vezes, 1ª com Isabel da Cruz Neves, natural da Freguesia de Missão Velha, filha de Francisco ou Florêncio Pereira e Josefa Maria, 2ª com Joana Maria de Jesus, sergipana, filha de Quirino Pereira de Vasconcelos e Josefa Maria de Jesus, ambos sergipanos de Lagarto. 

Filhos do 1º matrimônio:

J.1.) Maria Madalena de Jesus. Aos 19/01/1802. Casada com Manoel Paes Landim, filha de Máximo de Sousa e Isabel Maria do Nascimento ou Isabel Paes Landim. Foram dispensados de consanguinidade em 3º grau.

J.2.) Domingos. Nascido em 1796.

Filhos do 2º matrimônio de Simão Rodrigues das Neves

J.3.) Ana. Nascida em 22/09/1799. Foi-lhe padrinho de batismo o Capitão-mór do Crato José Pereira Filgueiras.

J.4.) Francisco. Nascido em 12/12/1801.

J.5.) Josefa. Batizou-se em 1804.

K) FRANCISCA PAES LANDIM. Casou-se com o Alferes Cosme Ferreira de Brito, natural de São Mateus dos Inhamuns, filho e João de Brito Saraiva, pernambucano de Goiana, e de Rosa Ferreira, cearense dos Inhamuns.

K.1.) João. Batizado em 1796 e falecido com 2 anos e 2 dias em 29/06/1798.

K.2.) Joana. Batizada em 1798.

L) TOMÁSIA DA CRUZ NEVES. Casada aos 09/01/1800, com Tomás Varela de Lima, natural da Freguesia de Missão Velha, filho do Capitão Manuel Antônio de Jesus e sua primeira mulher Eugênia Francisca de Jesus. Tomásia casou com um enteado de sua irmã Luisa Paes Landim, segunda mulher do citado Capitão Manuel Antônio de Jesus. 

M) ALFERES GONÇALO DA CRUZ NEVES. Aos 09/01/1800, casou-se com Maria Ribeiro Calado, natural da Freguesia de Missão Velha, filha do Capitão Manuel Antônio de Jesus e Eugênia Francisca de Jesus, sua primeira mulher. Casou-se, portanto, o Alferes Gonçalo, também com uma enteada de sua irmã Luisa Paes Landim. Viúvo, o Alferes contraiu outras núpcias com Rosa Maria de Jesus ou Rosa Maria da Cunha.

Filhos do 1º casamento:

M.1.) Lourenço. Nascido aos 11/11/1800 e foi batizado na Santa Teresa. Falecido aos 21/01/1801.

M.2.) Manuel Gonçalves das Neves. Falecido com 23 anos, aos 11/03/1825, sendo sepultado na Matriz de Missão Velha.

M.3.) Ana Paes da Encarnação ou Ana da Cruz Neves. Aos 07/07/1820 casou-se com Pedro Pereira da Cunha, natural da Freguesia de Missão Velha, filho de João Pereira da Cunha e Inês Maria.

M.4.) Teresa Maria de Jesus. Aos 07/07/1820 casou-se com Gonçalo Pereira da Cunha, natural da Freguesia d/e Missão Velha, filho de João Pereira da Cunha e Inês Pereira

Filhos do Alferes Gonçalo da Cruz Neves com Rosa Maria de Jesus ou da Cunha:

M.5.) Inês. Nascida aos 25/07/1816.

M.6.) Severino. Nascido aos 16/12/1817.

M.7.) Francisca da Cruz Neves. Aos 14/06/1830 casou-se com Manuel Leite Tavares, filho de Antônio Leite dos Santos e Francisca de Jesus Tavares.

M.8.) Francisco da Cruz Neves. Aos 06/03/1848, no Sítio Brejão, casou-se com Maria de Freitas Bizarria, dos Terésios, filha de João Antônio de Macêdo e Francisca de Freitas Bizarria.

M.9.) Joaquina da Cruz Neves. Aos 29/11/1833 casou-se com Teodoro Antunes Pinheiro, paraibano de Sousa, e viúvo de Luzia Maria Bezerra.

N) FELÍCIA DA CRUZ NEVES. A 01/09/1802, na Santa Teresa casou-se com Luis da Rocha, natural da então cidade da Paraíba, filho do Capitão Francisco Antônio de Matos e Águeda Maria da Rocha. 

O) ALFERES ANTÔNIO PAES LANDIM (ou Antônio Paes das Neves). Casado com Ana Maria da Conceição ou Ana Maria de Brito. Pais de:

O.1.) Tte.-Cel. Antônio Gonçalves Landim. Foi Comandante do Corpo de Cavalaria Nº 1 da Guarda Nacional do Crato...

O.2.) Manuel. Falecido em 14/07/1798, com 10 meses e 13 dias, sendo sepultado na Matriz de Missão Velha.

O.3.) José Gonçalves Landim. É este o José Landim assassinado pela força pública, aos 08/09/1856, numa eleição para Juiz de Paz e membros da Câmara Municipal. Pertencia ele ao partido liberal e foi baleado na Matriz do Crato. Houve ferimentos em outras pessoas. Ao evento se refere Joõ Brigido em O Ceará, Homens e Fatos pág. 489. E Irineu Pinheiro, em Efemérides do Cariri, pág. 142, afirma que “por ordem do vigário forâneo, Tomaz Pompeu e Sousa Brasil, foram excomungados pelo vigário do Crato o delegado culpado e dois soldados do destacamento”.

José Gonçalves Landim, casado com Isabel Macêdo Landim que, aos 13/10/1857, casou-se com Otávio Adrasto de Lima, viúvo e Sinem Leopodina da Franca, depois de dispensados de parentesco no “3º grau atingente 2º e 4º em que se achavam ligados”. 

O.4.) Francisca Xavier de Brito. Aos 25/06/1801, casou-se com Domingos Gonçalves Sobreira, cratense, filho do Capitão Domingos Gonçalves Sobreira e Rita dos Prazeres Cabral.

Domingos Gonçalves Sobreira, o filho residia no Sítio Timbaúba do termo do Crato. Tronco dos SOBREIRAS de Juazeiro do Norte, contraiu segundas núpcias com Teresa de Jesus Cavalcante. Em 1851, em Crato, procedeu-lhe o inventário, do qual constam seis filhos herdeiros, destes, um só da primeira mulher, ou seja, Francisca Xavier de Brito.

O.5.) José Gonçalves Landim ou José Gonçalves Pita. Casou-se com Ana Maria do Carmo, da Freguesia do Crato, filha do Capitão João Lobo de Menezes e Rita Maria Bezerra.

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Texto baseado na obra: A Estirpe de Santa Teresa de Joaryvar Macedo, com adaptação e organização de Jonas Landim.





CEL. ANTÔNIO JOAQUIM DE SANTANA - CORONEL SANTANA




O Senhor de Missão Velha: A Saga do Coronel Santana

     
Cel. Antônio Joaquim de Santana - Imagem restaurada com IA.


     Antônio Joaquim de Santana (Coronel Santana) Nasceu no Sítio Brejão, município de Barbalha, aos 6/12/1856 e faleceu em novembro de 1941. Integrou os quadros da Guarda Nacional por nomeação do Presidente da Republica Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca. Chefe político dos mais prestigiosos do Ceará, numa fase parcialmente superada, de sua política, o Cel. Santana inaugurou, no Sul do Estado, o ciclo das deposições, apeando do poder, ao fragor de tiroteios, em 1901, o Intendente de Missão Velha, Cel. Antonio Róseo Jamacaru. Conquistando pela força, o poder, do citado ano de 1901 a 1916, governou o município missão-velhense. Em 1911, aos 14 de outubro, na Vila de Juazeiro-Ce, presidiu a reunião dos caudilhos sul-cearenses a qual passou à história como ¨O Pacto dos Coronéis¨. (A Estirpe de Santa Teresa - Joaryvar Macêdo (p. 105-106)


Cel. Santana. Fonte: arquivos da família



A ascensão pelo Bacamarte


    A história de Antônio Joaquim de Santana, o "Coronel Santana", confunde-se com a própria inauguração de uma era de deposições violentas no Cariri cearense. Em 1901, ele deu início a esse capítulo turbulento ao apear do poder, sob cerrado tiroteio, o então chefe político de Missão Velha, Coronel Antônio Róseo Jamacaru.  

    Para consolidar sua investida, Santana utilizou sua localização estratégica no sítio Serra do Mato, ao sopé da Serra do Araripe. Dali, foi-lhe fácil arregimentar um exército composto por elementos do sertão pernambucano — núcleo de cabras e cangaceiros famosos — somados a recrutas do próprio Cariri. Diante de tal força, a resistência de Antônio Róseo foi insuficiente, restando-lhe a capitulação e o exílio definitivo em Jaguaribe.  


Poder e Prestígio no Cariri


    Instalado no poder com o apoio do governo estadual, Santana governou Missão Velha por dezesseis anos. Sua influência, contudo, estendia-se por toda a região, onde era superado em prestígio apenas pelo Coronel José Belém de Figueiredo (Crato) e, posteriormente, pela dupla Padre Cícero e Dr. Floro Bartolomeu.  
    Santana alimentava uma ambição audaciosa: desejava que cada município do sul cearense fosse dominado por um membro de sua família, os Terésios, estirpe originária do Engenho de Santa Teresa.  



O Homem por Trás da Patente


    Nascido no sítio Brejão, em Barbalha, no dia 6 de dezembro de 1856, Santana era uma figura de contrastes. Embora fosse um "mandão" rústico e temido, possuía um lado boêmio e sensível às artes:  

Música e Boemia: Dedicava momentos às mulheres e à música, sendo um apreciador do violão. Costumava dizer que não havia nada mais belo que a ressonância da viola em mãos habilidosas.  

Hospitalidade: Na casa-grande da Serra do Mato, acolhia cantadores e afirmava que, para a tristeza, o remédio era "uma viola bem temperada e um cigarro de fumo das Cabeceiras".  

Vitalidade: Mesmo na velhice, participava de festas sertanejas e dançava a noite inteira.  

Legado e Família


    Dotado de senso prático, o coronel priorizou a educação dos filhos varões de seu casamento legítimo. Dos quatro filhos, três galgaram posições de destaque:  

  • Antônio Santana Júnior: Engenheiro e professor do Colégio Militar do Ceará.  
  • Manuel Joaquim de Santana: Desembargador.  
  • Juvêncio Joaquim de Santana: Desembargador, deputado estadual e secretário do Interior e Justiça do Ceará.  


O Fim de uma Era


    Diferente de muitos chefes políticos de sua época, que tiveram fins violentos, o Coronel Santana faleceu pacificamente de morte natural, em novembro de 1941 aos oitenta e cinco anos . Ele viveu o suficiente para ver seus trinetos, deixando um rastro de arbitrariedades e desafetos, mas também uma marca indelével na história do coronelismo nordestino.

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NOTA: Vale salientar que uma das fases de mais projeção do clã forma as primeiras décadas do fluente século. Basta lembrar que, então lhe pertenciam vários dos chefes políticos, de real prestígio, da Região: Cel. Antônio Joaquim de Santana, em Missão Velha; Cel. José Belém de Figueiredo, em Crato; Cel. João Raimundo de Macedo, em Barbalha; D. Maria da Soledade Landim (Marica Macedo), em Aurora; Cel. Felinto da Cruz Neves, em Santana do Cariri; Cel. Napoleão Felinto da Cruz Neves, em Jardim, e outros. (A Estirpe de Santa Teresa - Joaryvar Macêdo (p. 105-106).

    Vem a propósito ressaltar que um dos Terésios, Antônio Joaquim de Jesus Macedo, que foi professor em Canindé, deixando para cada filho uma caderneta com síntese histórica de sua própria vida, a certa altura assim se exprime: ¨Sou natural da freguesia de Missão Velha, minha família é assaz ilustre e domina daquela zona¨.

            Não foi sem razão, portanto que ilustres homens dos Terésios, residentes no Rio de Janeiro, a alguns anos afirmaram em ¨Carta Aberta a Toda Familia¨. ¨Já tivemos, em tempos passados, mais projeção política e social no Vale do Cariri, posição esta gerada mais pela inteligência da força que pela força da inteligência.¨    

DESCENDÊNCIA DO CEL. ANTÔNIO JOAQUIM DE SANTANA


ASCENDENTES DO CEL. ANTÔNIO JOAQUIM DE SANTANA

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REFERÊNCIAS

MACEDO, Joaryvar. Imperio do Bacamarte - UFC, Edição 4, 2022. Fortzleza - Ceará.

MACEDO, Joaryvar. A Estirpe de Santa Teresa. Imprensa Universitária, UFC, 1976. Fortaleza - Ceará.

Do livro: A Estirpe de Santa Teresa - Joaryvar Macêdo (p. 105-106).

sexta-feira, 27 de março de 2026

Quinco Vasques: a história do bravo caririense e sua importância no Cariri

    A história do Cariri cearense é marcada por personagens fortes, corajosos e muitas vezes pouco conhecidos fora da tradição oral. 

    Entre esses nomes está Quinco Vasques, lembrado como um verdadeiro símbolo de bravura e resistência na região. 

 Mas afinal, quem foi Quinco Vasques e por que sua história ainda desperta interesse? 

     Neste artigo, você vai conhecer a trajetória desse personagem marcante e entender sua relevância para a memória do Cariri. 
 

Imagem com IA, a partir de imagem de arquivo da família.
Imagem criada por IA, a partir de arquivos da família.


     Quinco Vasques ficou conhecido como um dos personagens mais emblemáticos da história popular do Cariri. Sua fama está ligada à coragem, ao espírito destemido e à forma como enfrentava os desafios de sua época. Embora muitos registros sejam baseados na tradição oral, sua figura permanece viva na memória cultural da região. O contexto histórico do Cariri Para entender a importância de Quinco Vasques, é fundamental compreender o cenário em que ele viveu. 

     O Cariri, localizado no interior do Ceará, sempre foi uma região de forte identidade cultural, marcada por: 

 • Disputas territoriais 
 • Relações familiares intensas 
 • Tradição rural 
 • Histórias de resistência 

    Nesse ambiente, surgiram figuras que se tornaram lendas locais, como Quinco Vasques. 



A invasão de Lavras da Mangabeira


    Entre os episódios mais marcantes da trajetória de Quinco Vasques está a invasão da cidade de Lavras da Mangabeira, ocorrida em 7 de abril de 1910. Naquele período, o interior do Ceará vivia sob o domínio dos coronéis, que controlavam a política local e mantinham grupos armados para defender seus interesses.

    Quinco Vasques reuniu cerca de 150 homens armados e marchou durante a noite em direção a Lavras com o objetivo de derrubar do poder o Coronel Gustavo Augusto Lima, filho de Dona Fideralina, a grande líder política da cidade. Na manhã do dia 7 de abril, a cidade foi cercada e iniciou-se um combate armado que durou praticamente o dia inteiro.

Fonte: Cariri Cangaço

    O coronel Gustavo, avisado do ataque, organizou a defesa da cidade e conseguiu resistir ao ataque. A tentativa de deposição não teve sucesso, e o grupo de Quinco Vasques acabou se retirando.

    Esse episódio ficou marcado como um dos acontecimentos políticos mais importantes da história de Lavras da Mangabeira e do Cariri, representando o período em que o poder político era decidido muitas vezes pela força das armas, época conhecida como o tempo do coronelismo, descrito por Joaryvar Macedo no livro Império do Bacamarte.

    Quinco Vasques ficou conhecido como um dos homens valentes do Cariri, daqueles que viviam em uma época em que a palavra, a honra e a coragem tinham grande valor. 

    Era respeitado não apenas pela bravura, mas também pela influência que exercia na região, sendo uma figura conhecida e temida quando necessário, mas também admirada por sua postura e liderança.

 • Não recuar diante de conflitos 
 • Defender sua honra e sua família 
 • Agir com firmeza em situações difíceis.

    Essas características ajudaram a construir sua imagem como um “bravo caririense”. Tradição oral e memória popular Grande parte das histórias sobre Quinco Vasques foi preservada por meio da oralidade. 

     Isso significa que diferentes versões podem existir alguns fatos podem ter sido ampliados com o tempo  a narrativa mistura história e tradição Ainda assim, isso não diminui sua importância — pelo contrário, reforça seu papel como símbolo cultural. A importância histórica e cultural Mesmo sem ampla documentação formal, Quinco Vasques representa a identidade do povo caririense, a valorização da memória local, a força das histórias transmitidas entre gerações.

  Personagens como ele ajudam a construir o sentimento de pertencimento de uma região. Por que preservar essas histórias? Muitas histórias locais acabam se perdendo com o tempo. Registrar figuras como Quinco Vasques é essencial para manter viva a cultura regional, valorizar as raízes familiares e transmitir conhecimento às novas gerações 

    Quinco Vasques não é apenas um nome da tradição oral — ele é parte da construção histórica e cultural do Cariri. Sua história, marcada pela coragem e pela presença forte na memória popular, continua sendo um exemplo de como personagens locais podem atravessar gerações e permanecer vivos no imaginário coletivo.


Biografia Completa de Quinco Vasques em: QUINCO VASQUES - BIOGRAFIA


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BIOGRAFIA DE ANTÔNIO JOAQUIM LANDIM, ESPOSA E FILHOS


ANTÔNIO JOAQUIM LANDIM E MARIA BELARMINA DE OLIVEIRA LANDIM





Antônio Joaquim Landim, nasceu no dia 06 de setembro de 1898, no sítio Tipi, municipio de Aurora- CE, filho de Joaquim Vasques Landim (Quinco Vasques) e Maria da Luz Fernandes de Lima (Marica), casou-se com sua parenta Maria Belarmina de Oliveira Landim (Dona Santa) e foi morar no sítio Carnaúba, município de Missão Velha, dessa união  nasceram 24 filhos, dez morreram em tenra idade. Os outros, 10 homens e 4 mulheres, seguem listados abaixo:

1º - Odilon Vasques Landim
2º - José Vasques Landim
3º - Francisco Vasques Landim
4º - Dionisio Vasques Landim
5° - Jovane Vasques Landim

7º - Azarias Vasques Landim
8º - João Vasques Landim
9º - Dolores Landim Macedo
10º - Juarez Vasques Landim
11º - Afonso Vasques Landim
12º - Jocel Vasques Landim (Bosco)
13º - Maria do Socorro Landim Santana

14º - Raimunda Aparecida Landim Pinheiro



    Antônio Joaquim Landim, morou por quase toda sua vida no sítio onde nascera. Em meados da década de 80 foi morar com sua esposa e filhos na cidade de Juazeiro do Norte onde faleceu no dia 10 de abril de 1984, sua esposa, Dona Santa viveu mais 6 anos, vindo a falecer no dia 27 de janeiro de 1990 aos 80 anos de idade, na mesma residência.
   

QUINCO VASQUES E O ATAQUE A LAVRAS DA MANGABEIRA


Ataque a Lavras da Mangabeira – 07 de abril de 1910



Imagem gerada por IA a partir de descrição histórica.


    No dia 07 de abril de 1910, ocorreu um dos acontecimentos mais marcantes da história política do Cariri e do sul do Ceará: o ataque armado à cidade de Lavras da Mangabeira, realizado com o objetivo de derrubar do poder o Coronel Gustavo Augusto de Lima, filho da célebre Fideralina Augusto de Lima, uma das figuras mais poderosas do coronelismo nordestino.








    A família Augusto de Lima comandava um dos mais fortes núcleos de poder político dos sertões nordestinos, exercendo influência política, econômica e social sobre toda a região. O domínio político da família era tão forte que Lavras da Mangabeira se tornou um dos maiores símbolos do coronelismo no Ceará.

A marcha para Lavras


    A expedição armada que seguiu em direção a Lavras da Mangabeira foi liderada pelo destemido Joaquim Vasques Landim, mais conhecido como Quinco Vasques, que na época tinha 36 anos de idade.

Joaquim Vasques Landim - QUINCO VASQUES
Foto restaurada com uso de Inteligência Artificial 



    Ao anoitecer do dia 06 de abril de 1910, Quinco Vasques partiu do Sítio Bico da Arara, localizado na Serra de São Pedro, com destino a Lavras da Mangabeira. Ele seguia montado a cavalo à frente do grupo, acompanhado inicialmente por cerca de cinquenta homens armados.

    Durante o percurso, outros homens foram se juntando ao grupo, aumentando a tropa até chegar a aproximadamente cento e cinquenta homens, que seguiram determinados em direção à cidade. O objetivo era claro: atacar Lavras da Mangabeira e enfraquecer o poder político do coronel Gustavo Augusto de Lima.

    Quando a tropa liderada por Joaquim Vasques Landim, o Quinco Vasques, aproximou-se de Lavras da Mangabeira, em abril de 1910, o fator surpresa já não existia mais. O chefe político lavrense já havia sido avisado de que a cidade seria atacada e, por isso, tratou de organizar a defesa, reunindo homens armados e contando com o apoio da polícia.

    Mesmo sabendo que a cidade estava preparada para recebê-lo “a bacamarte”, Quinco Vasques não desistiu da investida. Instalado com seu grupo no Sítio Outeiro, nas proximidades da cidade, ele tomou uma atitude que mostra que o ataque não era apenas uma ação de violência, mas também um movimento político e estratégico: enviou bilhetes às autoridades locais.

Foram enviados dois bilhetes por intermédio de um portador, dirigidos:

Ao Coronel Gustavo Augusto de Lima, chefe político de Lavras da Mangabeira;
¨Gustavo. Renda-se ou morre, está cercado por 150 homens e estou disposto. Quinco Vasques¨ (MACEDO, 1974).

Ao comandante do destacamento policial da cidade.
¨Sr. Comandante da força. Está cercado por 150 homens, recolha-se ao quartel, garanto não ter nada com a autoridade, Jm. Vasques.¨ (MACEDO, 1974). 

    Nos bilhetes, Quinco Vasques comunicava sua presença nas proximidades da cidade e fazia uma espécie de intimação, pedindo que não houvesse resistência, para evitar derramamento de sangue. Era uma tentativa de rendição antes do confronto.

    Esse tipo de atitude era comum nos conflitos políticos da época. Muitas vezes, antes de ataques ou invasões, eram enviadas mensagens para dar oportunidade de rendição ou negociação, evitando combates maiores.

    Mesmo assim, a defesa da cidade não recuou. O grupo ligado à família Augusto, liderado politicamente pela poderosa Fideralina Augusto de Lima e por seu filho, o Coronel Gustavo Augusto, decidiu resistir.

Sem acordo e sem rendição, o confronto tornou-se inevitável.

    Na manhã do dia 7 de abril de 1910, por volta das primeiras horas do dia, a tropa de Quinco Vasques entrou em Lavras da Mangabeira, dando início a um dos episódios mais marcantes das lutas políticas armadas do sul do Ceará, um fato que entraria para a história como o ataque a Lavras da Mangabeira.

Imagem gerada por IA a partir de descrição histórica.


    Durante o ataque a Lavras da Mangabeira, em 7 de abril de 1910, o grupo ligado ao coronel Gustavo Augusto de Lima organizou a defesa e fez reduto na própria residência do coronel, localizada na então rua do Piripau, conhecida atualmente como rua Hilda Augusto, nas proximidades do Alto.

    Das portas e janelas do oitão da casa, os defensores atiravam contra os homens do grupo de Quinco Vasques, sustentando um intenso tiroteio que se prolongou por várias horas. Segundo registros do processo judicial da época, o combate começou pela manhã e se estendeu até a noite, havendo testemunhos que afirmam que o tiroteio durou cerca de oito horas.



    Um dos depoimentos mais importantes foi o do próprio coronel Francisco Augusto Correia Lima, que relatou que um grupo de aproximadamente doze cangaceiros aproximou-se da casa do coronel Gustavo Augusto de Lima, quebrando a porta da frente e mantendo intenso tiroteio contra a residência, com a intenção de matar o coronel.

    Enquanto parte do grupo atacava a casa, outros homens aproveitavam a confusão para quebrar móveis e saquear casas, levando tudo o que podiam. O prejuízo foi calculado em valores altos para a época, registrados em réis.

    Durante o conflito, outras casas da rua Grande também foram invadidas, com portas arrombadas “a coice de rifles e bacamartes”. Ao todo, cerca de seis casas foram saqueadas, com prejuízos estimados entre cento e cinquenta e duzentos mil réis para cada residência, valores consideráveis para o período.

    Apesar do ataque, o coronel Gustavo conseguiu resistir com o grupo de homens que havia recrutado para a defesa da cidade. O combate só terminou quando a munição dos atacantes começou a acabar e chegaram reforços policiais vindos de Icó, enviados para ajudar na defesa de Lavras da Mangabeira.

    Com a falta de munição e a aproximação das forças policiais, o grupo liderado por Vasques foi obrigado a bater em retirada, encerrando o ataque.

Integrantes do grupo de Quinco Vasques

    Documentos do processo da época registram o nome de vários integrantes do grupo que participou do ataque. Entre eles estavam:

José Lino Simões
Fenelon Carneiro Guerra
Vicente Maurício
José Terto
Manuel Mouco
Matias (sem sobrenome identificado)
Belo Fernandes, conhecido como Belinho
Pedro Calangro
João Marreca
Antão (sem sobrenome identificado)
Joaquim Gonçalves
José Cornélio
Antônio Sabino
João Mariano
José Rosa
João Paulino
Ildefonso (sem sobrenome identificado)
Joaquim Jardim
Antônio Rosa
Josino, filho de Antão
Tremeterra
Zezé

    Esses nomes aparecem em registros do processo e ajudam a identificar os participantes do ataque, sendo importantes para pesquisas históricas e genealógicas das famílias da região.


O Rescaldo do Conflito


Baixas:

Do lado de Quinco Vasques, houve vários feridos. 
Do lado do Coronel Gustavo, a baixa principal foi o subdelegado local, Possidônio Faustino da Silva, que perdeu a vida.

 Refúgio e Apoio: 

    Os homens de Quinco retiraram-se para o Sítio Calabaço, de propriedade de Joaquim Lôbo de Macêdo e Dona Maria Joquina da Cruz. Por serem parentes e compadres de Quinco, ofereceram a casa do engenho para curar os feridos e dar descanso ao batalhão, enquanto na casa grande repousava o chefe (MACEDO, 1974).


O Papel de Nazário Furtado Landim


A advertência: 

    O major Nazário Furtado Landim, residente em Juazeiro e também parente/compadre de Quinco Vasques, enviou uma carta (missiva) com um conselho urgente. Nazário pediu que Quinco dispensasse seus homens armados ("despeça este pessoal") e evitasse qualquer violência ou roubo. Ele alertou que a permanência de Quinco naquela situação impedia sua reabilitação perante a lei e que, caso não seguisse o conselho, o Governo tomaria medidas severas e imediatas.


A Rede de Proteção na Paraíba

Fuga Estratégica: 

    Com recomendação do Coronel José Augusto de Oliveira (o Zé Borrego) de Lavras, Quinco Vasques buscou refúgio na Paraíba, na cidade de São João do Rio do Peixe (atual Antenor Navarro), onde ficou sob a proteção do influente Padre Joaquim Cirilo de Sá (Padre Sá). O texto explica que essa proteção era baseada em laços familiares sólidos: dois irmãos de José Augusto eram casados com dois irmãos do referido padre.

Padre Joaquim Cirilo de Sá - Padre Sá
Fonte: ancestors.familysearch.org



A Captura e o Interrogatório de Quinco Vasques

    Após o cerco a Lavras, a trajetória de Quinco Vasques tomou um rumo judicial em solo paraibano, revelando a complexa teia de alianças por trás do conflito.  

Prisão na Paraíba

Captura e Soltura

    Após o malogro, Quinco Vasques foi capturado em 1º de junho no lugar Poço, na Paraíba, e detido em Sousa antes de ser recambiado para Lavras. No entanto, sua estadia na prisão foi curta. Mandões influentes da região, como Domingos Furtado e Antônio Santana, providenciaram rapidamente sua soltura.  

Interrogatório Inicial: 

    No dia 3 de junho, foi ouvido pela Justiça em Sousa. Ao ser questionado sobre suas relações, citou figuras de peso como o Padre Sá, Antônio Leite (deportado de Aurora) e a família Amador.  

Revelações sobre o Ataque

    Durante os depoimentos, Quinco detalhou como a ofensiva contra o Coronel Gustavo foi planejada:  

O Mentor: 

Segundo Vasques, foi Antônio Leite quem elaborou o plano do ataque com os demais assaltantes.  

Financiamento: 

    Ele afirmou que o próprio Antônio Leite forneceu o dinheiro necessário para a execução da "empresa" armada.  


Curiosidades e Defesa Pessoal

O interrogatório também registrou momentos curiosos que demonstram o perfil do investigado:


Conflitos em Cajazeiras: 

    Quando questionado sobre crimes naquela região, Quinco negou delitos graves, admitindo apenas ter dado "um crister de pimenta" em um homem chamado Francisco Salvino, que teria tentado tomar suas terras cerca de três anos antes.  


Recambiamento: 

    Em 13 de junho, Quinco foi transferido de volta para Lavras, onde passou a ser inquirido pelo juiz Alfredo de Oliveira.

A Motivação: Perseguição e Honra

    Quinco Vasques não aceitou o comando da investida por acaso. Ele revelou em juízo que o Coronel Gustavo Augusto Lima havia oferecido dez contos de réis por sua cabeça e contratado o cangaceiro "Sipaúba do Góis" para matá-lo. A tensão aumentou quando um suposto trabalhador, infiltrado na propriedade de Quinco, confessou ter sido enviado pelo Coronel Gustavo para assassiná-lo.  

O Objetivo Estratégico

    Diferente do que se possa pensar, o plano não era matar o Coronel Gustavo, o que poderia ser feito em uma simples emboscada de estrada. O objetivo era político:  

    Destronar o Coronel Gustavo: O grupo queria depor o coronel para que José Borrego (Zé Borrego) assumisse a chefia política de Lavras.  

    Retomada de Aurora: A queda de Gustavo em Lavras facilitaria o retorno do Coronel Antônio Leite (Totonho Leite) ao poder em Aurora, de onde havia sido expulso em 1908. 


O Conluio e o Financiamento

    O ataque foi uma operação conjunta entre os dissidentes da família Augusto e os grupos políticos de Aurora. Segundo o depoimento de Quinco Vasques:  


Mandantes: 

    Manuel Gonçalves Ferreira, Antônio Leite Teixeira Neto e Davi Saburá.  

Logística: 

Antônio Leite e Davi Saburá forneceram, cada um, um conto de réis, enquanto Manuel Gonçalves contribuiu com duas cargas de balas de rifles. 
 

Intermediário: 

Joaquim Torquato foi o responsável por entregar o dinheiro e as munições.  

Por que o ataque falhou?

    Apesar da bravura de Quinco, o cerco sucumbiu devido a falhas de planejamento:  

Exaustão: 

    Os homens chegaram fatigados após marcharem a pé em um ritmo acelerado (mais de uma légua por hora).  

Inferioridade Numérica: 

    O contingente de Quinco era inexpressivo diante da defesa preparada pelo Coronel Gustavo.  

Falta de Munição: 

    Os atacantes não tinham suprimentos suficientes para um combate prolongado.  


A Figura de Quinco Vasques


    O texto consagra Quinco como um dos homens mais destemidos do Cariri, capaz de violar o "feudo" de Dona Fideralina e dos Augustos. Além deste ataque, ele é lembrado por enfrentar os coronéis Sinhô Dantas e Isaías Arruda em Missão Velha, e por peitar os "Paulinos de Aurora" acompanhado de apenas três filhos.

Quinco Vasques ao centro com cinco seus dez filhos, cinco ao seu lado direito e cinco ao seu lado esquerdo
Fonte: arquivos da família


Um episódio do tempo do coronelismo

    Esse episódio ocorreu em uma época em que o interior nordestino vivia sob o domínio dos coronéis, grandes proprietários de terras que controlavam a política local, as eleições, a economia e muitas vezes mantinham grupos armados para defender seus interesses.

    Os conflitos políticos frequentemente se transformavam em confrontos armados, invasões de cidades e perseguições a adversários. Era o tempo em que o poder muitas vezes era garantido pela força das armas, período que ficaria conhecido posteriormente como o tempo do bacamarte.

    O ataque a Lavras da Mangabeira entrou para a história como um dos episódios mais importantes das lutas políticas armadas do Cariri e demonstra como eram intensas as disputas pelo poder na região no início do século XX.


História e memória do Cariri


    A história de personagens como Quinco Vasques e dos conflitos envolvendo as grandes famílias do Cariri faz parte da formação histórica e social da região. Esses acontecimentos ajudam a entender não apenas a política da época, mas também a formação de muitas famílias, alianças e rivalidades que marcaram a história do sul do Ceará.

    Resgatar esses fatos é preservar a memória do nosso povo e compreender melhor a história das famílias tradicionais do Cariri e dos sertões cearenses.




Winchester - 1873, mais conhecido como Rifle Papo Amarelo, modelo da arma utilizada por Quinco Vasques no Ataque a Lavras da Mangabeira.



Modelo semelhante a imagem 01 porém com o cano curto.




Rifle original utilizado por Quinco Vasques no Ataque a Lavras da Mangabeira. Qunco Vasques presenteou cada um de seus filhos com um rifle semelhante a este.





Rifle utilizado por Quinco Vasques 




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Referências
MACEDO, Joaryvar. Um Bravo Caririense. Crato: Emp. Gráfica Ltda., 1964.
PINHEIRO, Irineu. Efemérides do Cariri. Fortaleza: Imprensa Universitária, 1963.

Leitura complementar
LEAL, Victor Nunes. Coronelismo, Enxada e Voto.
MACEDO, Joaryvar. O Império do Bacamarte.

Outras fontes:
Registros e imagens históricas capturadas online ou de arquivos da família.









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