Sem acordo e sem rendição, o confronto tornou-se inevitável.
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| Imagem gerada por IA a partir de descrição histórica. |
Durante o ataque a Lavras da Mangabeira, em 7 de abril de 1910, o grupo ligado ao coronel Gustavo Augusto de Lima organizou a defesa e fez reduto na própria residência do coronel, localizada na então rua do Piripau, conhecida atualmente como rua Hilda Augusto, nas proximidades do Alto.
Das portas e janelas do oitão da casa, os defensores atiravam contra os homens do grupo de Quinco Vasques, sustentando um intenso tiroteio que se prolongou por várias horas. Segundo registros do processo judicial da época, o combate começou pela manhã e se estendeu até a noite, havendo testemunhos que afirmam que o tiroteio durou cerca de oito horas.
Um dos depoimentos mais importantes foi o do próprio coronel Francisco Augusto Correia Lima, que relatou que um grupo de aproximadamente doze cangaceiros aproximou-se da casa do coronel Gustavo Augusto de Lima, quebrando a porta da frente e mantendo intenso tiroteio contra a residência, com a intenção de matar o coronel.
Enquanto parte do grupo atacava a casa, outros homens aproveitavam a confusão para quebrar móveis e saquear casas, levando tudo o que podiam. O prejuízo foi calculado em valores altos para a época, registrados em réis.
Durante o conflito, outras casas da rua Grande também foram invadidas, com portas arrombadas “a coice de rifles e bacamartes”. Ao todo, cerca de seis casas foram saqueadas, com prejuízos estimados entre cento e cinquenta e duzentos mil réis para cada residência, valores consideráveis para o período.
Apesar do ataque, o coronel Gustavo conseguiu resistir com o grupo de homens que havia recrutado para a defesa da cidade. O combate só terminou quando a munição dos atacantes começou a acabar e chegaram reforços policiais vindos de Icó, enviados para ajudar na defesa de Lavras da Mangabeira.
Com a falta de munição e a aproximação das forças policiais, o grupo liderado por Vasques foi obrigado a bater em retirada, encerrando o ataque.
Integrantes do grupo de Quinco Vasques
Documentos do processo da época registram o nome de vários integrantes do grupo que participou do ataque. Entre eles estavam:
• José Lino Simões
• Fenelon Carneiro Guerra
• Vicente Maurício
• José Terto
• Manuel Mouco
• Matias (sem sobrenome identificado)
• Belo Fernandes, conhecido como Belinho
• Pedro Calangro
• João Marreca
• Antão (sem sobrenome identificado)
• Joaquim Gonçalves
• José Cornélio
• Antônio Sabino
• João Mariano
• José Rosa
• João Paulino
• Ildefonso (sem sobrenome identificado)
• Joaquim Jardim
• Antônio Rosa
• Josino, filho de Antão
• Tremeterra
• Zezé
Esses nomes aparecem em registros do processo e ajudam a identificar os participantes do ataque, sendo importantes para pesquisas históricas e genealógicas das famílias da região.
O Rescaldo do Conflito
Baixas:
Do lado de Quinco Vasques, houve vários feridos.
Do lado do Coronel Gustavo, a baixa principal foi o subdelegado local, Possidônio Faustino da Silva, que perdeu a vida.
Refúgio e Apoio:
Os homens de Quinco retiraram-se para o Sítio Calabaço, de propriedade de Joaquim Lôbo de Macêdo e Dona Maria Joquina da Cruz. Por serem parentes e compadres de Quinco, ofereceram a casa do engenho para curar os feridos e dar descanso ao batalhão, enquanto na casa grande repousava o chefe.
O Papel de Nazário Furtado Landim
A advertência:
O major Nazário Furtado Landim, residente em Juazeiro e também parente/compadre de Quinco Vasques, enviou uma carta (missiva) com um conselho urgente. Nazário pediu que Quinco dispensasse seus homens armados ("despeça este pessoal") e evitasse qualquer violência ou roubo. Ele alertou que a permanência de Quinco naquela situação impedia sua reabilitação perante a lei e que, caso não seguisse o conselho, o Governo tomaria medidas severas e imediatas.
A Rede de Proteção na Paraíba
Fuga Estratégica:
Com recomendação do Coronel José Augusto de Oliveira (o Zé Borrego) de Lavras, Quinco Vasques buscou refúgio na Paraíba, na cidade de São João do Rio do Peixe (atual Antenor Navarro), onde ficou sob a proteção do influente Padre Joaquim Cirilo de Sá (Padre Sá). O texto explica que essa proteção era baseada em laços familiares sólidos: dois irmãos de José Augusto eram casados com dois irmãos do referido padre.
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Padre Joaquim Cirilo de Sá - Padre Sá Fonte: ancestors.familysearch.org |
A Captura e o Interrogatório de Quinco Vasques
Após o cerco a Lavras, a trajetória de Quinco Vasques tomou um rumo judicial em solo paraibano, revelando a complexa teia de alianças por trás do conflito.
Prisão na Paraíba
Captura e Soltura
Após o malogro, Quinco Vasques foi capturado em 1º de junho no lugar Poço, na Paraíba, e detido em Sousa antes de ser recambiado para Lavras. No entanto, sua estadia na prisão foi curta. Mandões influentes da região, como Domingos Furtado e Antônio Santana, providenciaram rapidamente sua soltura.
Interrogatório Inicial:
No dia 3 de junho, foi ouvido pela Justiça em Sousa. Ao ser questionado sobre suas relações, citou figuras de peso como o Padre Sá, Antônio Leite (deportado de Aurora) e a família Amador.
Revelações sobre o Ataque
Durante os depoimentos, Quinco detalhou como a ofensiva contra o Coronel Gustavo foi planejada:
O Mentor:
Segundo Vasques, foi Antônio Leite quem elaborou o plano do ataque com os demais assaltantes.
Financiamento:
Ele afirmou que o próprio Antônio Leite forneceu o dinheiro necessário para a execução da "empresa" armada.
Curiosidades e Defesa Pessoal
O interrogatório também registrou momentos curiosos que demonstram o perfil do investigado:
Conflitos em Cajazeiras:
Quando questionado sobre crimes naquela região, Quinco negou delitos graves, admitindo apenas ter dado "um crister de pimenta" em um homem chamado Francisco Salvino, que teria tentado tomar suas terras cerca de três anos antes.
Recambiamento:
Em 13 de junho, Quinco foi transferido de volta para Lavras, onde passou a ser inquirido pelo juiz Alfredo de Oliveira.
A Motivação: Perseguição e Honra
Quinco Vasques não aceitou o comando da investida por acaso. Ele revelou em juízo que o Coronel Gustavo Augusto Lima havia oferecido dez contos de réis por sua cabeça e contratado o cangaceiro "Sipaúba do Góis" para matá-lo. A tensão aumentou quando um suposto trabalhador, infiltrado na propriedade de Quinco, confessou ter sido enviado pelo Coronel Gustavo para assassiná-lo.
O Objetivo Estratégico
Diferente do que se possa pensar, o plano não era matar o Coronel Gustavo, o que poderia ser feito em uma simples emboscada de estrada. O objetivo era político:
Destronar o Coronel Gustavo: O grupo queria depor o coronel para que José Borrego (Zé Borrego) assumisse a chefia política de Lavras.
Retomada de Aurora: A queda de Gustavo em Lavras facilitaria o retorno do Coronel Antônio Leite (Totonho Leite) ao poder em Aurora, de onde havia sido expulso em 1908.
O Conluio e o Financiamento
O ataque foi uma operação conjunta entre os dissidentes da família Augusto e os grupos políticos de Aurora. Segundo o depoimento de Quinco Vasques:
Mandantes:
Manuel Gonçalves Ferreira, Antônio Leite Teixeira Neto e Davi Saburá.
Logística:
Antônio Leite e Davi Saburá forneceram, cada um, um conto de réis, enquanto Manuel Gonçalves contribuiu com duas cargas de balas de rifles.
Intermediário:
Joaquim Torquato foi o responsável por entregar o dinheiro e as munições.
Por que o ataque falhou?
Apesar da bravura de Quinco, o cerco sucumbiu devido a falhas de planejamento:
Exaustão:
Os homens chegaram fatigados após marcharem a pé em um ritmo acelerado (mais de uma légua por hora).
Inferioridade Numérica:
O contingente de Quinco era inexpressivo diante da defesa preparada pelo Coronel Gustavo.
Falta de Munição:
Os atacantes não tinham suprimentos suficientes para um combate prolongado.
A Figura de Quinco Vasques
O texto consagra Quinco como um dos homens mais destemidos do Cariri, capaz de violar o "feudo" de Dona Fideralina e dos Augustos. Além deste ataque, ele é lembrado por enfrentar os coronéis Sinhô Dantas e Isaías Arruda em Missão Velha, e por peitar os "Paulinos de Aurora" acompanhado de apenas três filhos.
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Quinco Vasques ao centro com cinco seus dez filhos, cinco ao seu lado direito e cinco ao seu lado esquerdo Fonte: arquivos da família |
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ResponderExcluirLAVRAS DA MANGABEIRA
ResponderExcluirgostaria de saber da família Taveira dos Santos, minha tataravó se chamava Rita Taveira dos Santos casada com Joaquim Cavalcante de Lacerda
E como transcorreu tal embate? Qual o resultado final?
ResponderExcluirNo endereço http://cariricangaco.blogspot.com.br/2013/05/casa-do-cla-augusto-icone-da-historia-e.html lê-se que:
ResponderExcluir"Cada recanto e cada canto da casa dos Augusto parecia nos trazer cenas irretocáveis da tradicional história lavrense tão bem delineadas pelo poeta maior Dimas Macedo em sua conferência da tarde anterior.
E o grande Dimas Macedo nos provocava a imaginação: "Severo desta janela os homens do Coronel Gustavo rechaçaram os jagunços de Quinco Vasques na invação de Lavras no começo do século passado..." E me veio a memória um embate de Titãs; de um lado a força inegável e a valentia de um clã como o dos Augusto, do outro lado a coragem, beirando a loucura de um outro personagem emblemátcio de nosso Cariri: Quinco Vasques do Clã dos Terésios de Santa Terteza. Novamente tínhamos nas mãos a oportunidade de reviver momentos heróicos de homens e mulheres que escreveram, muitas vezes com sangue, a história do Cariri do Ceará."
Confere? Tem detalhes a acrescentar ou corrigir?
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ExcluirCertíssimo meu caro, belas palavras de nosso grande Dimas Macêdo que enriquecem ainda mais esse importante fato de nossa história. Obrigado pela contribuição!
Excluirsou da familília BATISTA gostaria de saber a historia dos Batista de lavras da mangabeira meu avô chamava se Satiro batista do sitio melancias. era agrimensor
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